O exame de toque retal ainda é, para muitos homens, o maior obstáculo entre eles e o urologista. Não é a dor nem o tempo do procedimento que afasta, é o desconforto imaginado antes mesmo de entrar no consultório. E é justamente esse medo que, na prática, atrasa diagnósticos que poderiam ser feitos muito mais cedo.
Escuto isso quase toda semana: pacientes que adiaram a consulta por anos, não por falta de tempo ou de acesso ao médico, mas por vergonha de um exame que, na prática, dura menos do que o tempo gasto explicando por que estão adiando.
Por que o medo existe?
A resistência ao toque retal está mais ligada a questões culturais do que à experiência real do exame. Muitos homens associam o procedimento a uma ameaça à masculinidade, um tabu que se repete geração após geração, muitas vezes sem nunca ter sido questionado. Como costumo dizer aos meus pacientes, o constrangimento imaginado quase sempre é maior do que a experiência real do exame.
Como é feito o exame de toque retal, na prática
O toque retal é rápido, dura menos de um minuto, e para a maioria dos pacientes é bem tolerado, sem necessidade de preparo especial ou anestesia. Faço o exame com calma, explico cada etapa antes de começar, e mantenho a conversa aberta durante todo o procedimento, o que costuma reduzir bastante a ansiedade de quem está fazendo pela primeira vez.
Costumo dizer, com bom humor, que o exame em si demora menos do que o tempo que o paciente passou se preocupando com ele na sala de espera. Depois da primeira vez, a maioria dos pacientes confirma que o desconforto imaginado era bem maior do que a experiência real.
O que o toque identifica que outros exames não veem
Um dado que poucos pacientes conhecem: até vinte por cento dos tumores de próstata são identificados apenas pelo toque retal, mesmo quando o PSA está dentro da faixa considerada normal. Isso significa que depender só do exame de sangue, e dispensar o toque, pode deixar passar alterações que só a avaliação física é capaz de perceber.
O câncer de próstata é o segundo tipo mais frequente entre homens no Brasil, e quando identificado precocemente, as chances de cura ultrapassam noventa por cento. O acompanhamento anual, feito de forma contínua, é o que sustenta esse tipo de resultado ao longo dos anos, muito mais do que qualquer exame isolado feito uma única vez. É por isso que costumo insistir com meus pacientes: o valor do toque retal não está apenas no resultado de um único exame, mas na constância do acompanhamento ano após ano.
O papel de quem está por perto
Reparo, na prática, que muitas vezes é a esposa, a companheira ou uma filha que insiste para que o marido, o pai ou o parceiro marque a consulta. Não existe problema nenhum nisso, pelo contrário: esse tipo de apoio costuma ser decisivo para vencer a resistência inicial e transformar a preocupação de alguém próximo em uma consulta de verdade.
Se você é dessas pessoas que empurram esse assunto com o parceiro há algum tempo, esse pode ser o empurrão que faltava para a conversa finalmente acontecer.
Vencer o desconforto imaginado
Prefiro ser direto: um minuto de desconforto pesa muito pouco perto do valor de um diagnóstico feito a tempo. A conversa franca sobre o exame, sem tabu e sem vergonha, é o primeiro passo para que menos homens cheguem ao consultório tarde demais, quando as opções de tratamento já são mais limitadas do que poderiam ter sido.
Se você está adiando esse exame há algum tempo por vergonha ou receio, marque uma consulta comigo. Explico cada etapa antes de qualquer coisa, no seu tempo, sem pressa.
